19/07/2019

Plataforma traz indicador de desigualdades educacionais no país

Como o nível de aprendizagem dos estudantes se relaciona com a desigualdade social? E com a raça ou gênero do indivíduo? Recém-lançada, a plataforma Indicador de Desigualdades e Aprendizagens (IDeA) levanta dados importantes sobre essas interseções para cada município brasileiro.

Elaborado pela Fundação Tide Setubal em parceria com pesquisadores de Educação, o instrumento traz uma perspectiva diferente do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que avalia a educação brasileira com um indicador global de aprendizado, sem observar as desigualdades educacionais entre os grupos sociais.

No IDeaA, é possível visualizar a conexão entre as desigualdades educacionais e a socioeconômica, colocando essas duas dimensões como aspectos que devem ser abordados em conjunto nas ações e políticas públicas transformadoras.

Para tanto, a ferramenta se debruça sobre os resultados de aprendizagem dos estudantes que concluíram a primeira e a segunda etapa do Ensino Fundamental (5º e 9º anos), partindo dos dados públicos das edições da Prova Brasil, de 2007 a 2015.

Entre os pesquisadores que o construíram estão José Francisco Soares, professor emérito da UFMG, Erica Castilho Rodrigues, professora do Departamento de Estatística da UFOP, Mauricio Ernica, professor da Faculdade de Educação da Unicamp, e Victor Maia Senna Delgado, professor do Departamento de Economia da UFOP.

Dados levantados sobre desigualdades educacionais

O indicador mostra, por exemplo, que menos de 1% dos municípios brasileiros possuem qualidade alta em Língua Portuguesa e Matemática sem apresentar desigualdade socioeconômica, tanto para o 5º quanto para o 9º ano.

Municípios com estudantes com alto nível de aprendizado no 5º ano e, ao mesmo tempo, equidade entre grupos de nível socioeconômico alto e baixo correspondem a apenas 0,2% do Brasil para Matemática e 0,4%, para Língua Portuguesa. Já no 9º ano, há apenas 0,1% de municípios nessas condições para Matemática e só 0,1%, para Língua Portuguesa

Neste mesmo critério, mas comparando-se pretos e brancos, a proporção é de 0,7% para Matemática e 1,5% para Língua Portuguesa no 5º ano e chega a quase zero nas duas disciplinas no 9º ano.

Na análise por gênero, em situação de equidade e aprendizagem alta, tem-se no 5º ano só 9,6% dos municípios nessas condições para Matemática e só 2,5% para Língua Portuguesa e no 9º ano, 0,7% para Matemática e 0% para Língua Portuguesa.