Escola em zona rural usa a lavoura em processo de ensino-aprendizagem

Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Campo de Sementes e Mudas as aulas de matemática são na lavoura dos pais dos alunos a cada 15 dias.

Já as de Ciências e Biologia são na horta e no tanque de peixes que ficam dentro do colégio, localizado na zona rural de Cruz do Espírito Santo, região metropolitana de João Pessoa, Paraíba.

Com pouco mais de 16 mil habitantes, a cidade tem 23 comunidades agrícolas. E é com a finalidade de fortalecer os laços dos estudantes com essas comunidades que a escola usa a lavoura e vem reforçando a formação de professores no contexto da Educação no Campo desde 2015.

A Campo de Sementes e Mudas é uma das escolas rurais da Paraíba que adotaram o cultivo de hortas e outros projetos como práticas de ensino-aprendizagem de Ciências, Geografia, Biologia e Matemática.

“Para além da abstração e aplicação na prática, a ideia é fortalecer a identidade do campo nesses estudantes”, explica o professor de Ciências e Biologia Leandro Mendes.  

A iniciativa é resultado da parceria entre Secretaria de Estado da Educação (SEE) e o Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) para a formação de professores.

“Queremos que [os alunos] sintam orgulho de suas origens, independentemente da vocação de cada um, e que busquem a solução de problemas baseados em suas realidades”, diz o educador.

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Helena Singer: “Inovação é aquilo que as pessoas e comunidades criam com base em uma pesquisa, em conhecimento, com metodologia clara da realidade em que vivem para enfrentar os desafios sociais que são vividos naquele seu contexto”.

Professor e alunos em horta

Crédito: Reprodução

O ensino-aprendizagem que vem do campo

Segundo Leandro, esses espaços permitem que as crianças aprendam conceitos de forma interdisciplinar e interajam mais com seus pais.

A professora de Matemática Rejane Nascimento acredita que a relação entre pais, alunos e escola é fundamental para a valorização do agricultor. “Dessa forma, o estudante passa a dar valor ao trabalho de sua família, e não se sente diminuído e oprimido quando se depara com outras realidades”, diz a professora.

Tanto Rejane quanto Leandro ressaltam que é notável a melhora no desempenho cognitivo dos estudantes a partir da adoção dessas práticas pedagógicas.

Crédito: Reprodução

“Essa  troca de experiências com as famílias, que passaram a participar mais efetivamente do dia a dia da escola, trouxe um salto de qualidade no comportamento e desempenho dos estudantes. Isso me surpreende até hoje” , conta Rejane.

Para a diretora Edineuza Araújo o projeto trouxe mais engajamento dos estudantes, que assim se sentem muito mais motivados para continuar na escola. “Além dos alunos trabalharem ecologia, preservação do solo, alimentação saudável, eles também passaram a entender que não precisam sair do campo para estudar”, diz a diretora.

De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica 2017, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgado pelo MEC, a taxa de evasão escolar no ensino fundamental estadual na Paraíba é de 13,5%.

Dessa forma, se a EEEF Campo de Sementes e Mudas estivesse nessa média, 35 alunos já teriam abandonado a escola. No entanto, dos 260 matriculados, apenas dois deixaram os estudos.

 

 

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