Relatório mostra que inovação escolar deve buscar inclusão

De acordo com o relatório do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, as boas escolas são aquelas com experiências que trazem conceitos, processos, estruturas e metodologias novos, capazes de mapear o interesse e a criatividade dos estudantes.

O material destaca também como inovadoras iniciativas que favorecem a participação de estudantes, professores, funcionários e familiares e criam ambientes de colaboração, transparência e descentralização.

O relatório, que você pode baixar em nossa biblioteca gratuitamente, sintetiza as principais contribuições do ciclo de seminários Educação básica brasileira: dificuldades aparentes, desafios reais entre, que aconteceu entre agosto de 2017 e março de 2018.

Paradigmas

“O ponto de partida deve ser a tarefa ética da educação, que é garantir a aprendizagem de todos”, destaca o texto, citando o educador e idealizador da Escola da Ponte, em Portugal, José Pacheco, um dos participantes do seminário e integrante do Movimento de Inovação na Educação. “Só vale a pena a inovação que vem atender a essa tarefa. Ou, de outra perspectiva, é preciso inovar sempre que alguém estiver excluído do processo de aprendizagem.”

O educador português José Pacheco – Foto: EBC

Segundo Pacheco, junto da inclusão, as exigências do tempo histórico também sinalizam por inovações. São essas demandas que colocaram em xeque, já no século 20, o “paradigma da instrução”. Fundado na centralização em torno da escola, ele se caracterizou por professores transmitindo conteúdos para um número grande de estudantes e o recurso a aulas, provas e seriações.

Para os especialistas, é a hora do “paradigma da comunicação”, alicerçado na comunidade de aprendizagem. “Nela, o currículo é trabalhado em uma tripla dimensão”, explicita o relatório. “A primeira é a da subjetividade, que se refere às necessidades e desejos de cada um. A segunda, da comunidade, voltando-se para o seu desenvolvimento sustentável. A terceira é a universal, que nos possibilita ver que não estamos sozinhos no mundo.” Produção descentralizada do conhecimento e foco na relação educando-educadores são pilares dessas inovações.

Inovação em Manaus

O documento destaca ainda iniciativas inovadoras que tiveram local em Manaus. Com 499 escolas, 415 urbanas e 84 que incluem escolas ribeirinhas e indígenas bilíngues, atendendo dez etnias e quatro línguas, a rede da capital amazonense abriga 242 mil estudantes. Lá, calendário e currículo ganharam novos significados através da valorização da cultural local.

Algumas dessas escolas já fazem parte da rede do Movimento de Inovação na Educação.

Território Amazônia e a educação inovadora

Propostas de inovação

Para que as iniciativas inovadoras ganhem ainda mais espaço, o documento apresenta uma lista de tarefas, como a reorganização dos programas de formação de professores e o fomento à autonomia das escolas

O material indica também a necessidade da criação de dispositivos que garantam a continuidade de projetos inovadores mesmo com mudanças de governo e a sintonia entre atos administrativos e pedagógicos

 

Com informações do Jornal da USP. Clique para ler a reportagem completa