Ao lado de outros jovens, Aquataluxe Rodrigues criou conselho para dar voz à juventude no Olodum

Não é só com o ritmo do samba-reggae que o Olodum, bloco-afro do Carnaval baiano, impacta quem sobe e desce as ladeiras do Pelourinho, em Salvador (BA). Há 40 anos o grupo cultural transforma a realidade do território com sua luta contra o racismo e a favor da identidade e direitos do povo negro no Brasil.

É essa herança que carrega Aquataluxe Rodrigues, 31 anos. Filha de João Jorge, atual diretor do Olodum, e de Martha Rosa, militante feminista e carnavalesca pernambucana, a jovem esteve “desde sempre” imersa no cenário de transformação social. “Enquanto mulher negra, filha de mulher negra, neta de mulher negra, me foi natural lutar pelos nossos direitos. Estava na minha trajetória familiar”, conta.

Ainda menina, com apenas 13 anos, após integrar um grupo de apoio escolar para meninas negras, Aquataluxe passou a articular suas próprias mobilizações como feminista negra. “Tem muito a ver com a história da minha mãe. Desde minha criação, convivo com mulheres que são referência. E acredito que a gente tem que lutar por um movimento que nos representa.”

conselho juventude do olodum

Participação jovem no Olodum

E foi acompanhando de perto o trabalho do Olodum que Aquataluxe percebeu algo que precisava ser mudado. A direção era formada por pessoas mais velhas, por vezes, distantes do universo dos jovens. “Quando eu queria falar, não podia porque não era conselheira ou da diretoria. E como as pessoas sabiam dos meus laços familiares, muitos jovens do bairro me pediam para levar demandas para o Olodum. Mas isso não podia ficar assim, tinha que ter um caminho mais acessível”, conta.

A constatação a levou à criação, ao lado de outros jovens, do Conselho da Juventude do Olodum em outubro de 2017. “O conselho veio para contemplar isso. O propósito é aproximar outras gerações do Olodum do público jovem. Enfim, ter um lugar onde a juventude possa ser ouvida.” Entre as demandas da juventude, estavam questões como a violência, sexualidade, drogas e racismo.

Outra ação tem como foco desmistificar a política como algo distante e inacessível. “A ideia é falar sobre política e democracia de forma desconstruída e com uma linguagem que a juventude utiliza. Quando vou a uma escola dar uma palestra, procuro sempre ter um diálogo em uma linguagem mais acessível aos jovens do que aquela técnica, da academia.”

Os debates levaram ainda à idealização de outro projeto, ao lado de Carla Pita e Luciane Reis: o #Trocando Ideias na Casa do Olodum, que tem como proposta levar adolescentes e jovens do Ensino Médio das escolas e territórios em torno do Olodum para passar uma manhã ou tarde na organização, debatendo uma temática de seu interesse. 

Para Aquataluxe, esse deve ser o objetivo de qualquer iniciativa que se proponha a ouvir os jovens: dar protagonismo. “Acho que o desafio não é só escutar, mas fazer junto com a juventude. Quando se dá protagonismo aos jovens, estão de fato construindo democracia. Conhecimento é troca. E os jovens devem participar do processo de construção da educação.”

comissão juventude do olodum