28% dos jovens pensam em não voltar para a escola quando a pandemia acabar, mostra pesquisa

Saúde em risco, isolamento social, escolas e universidades fechadas, alteração de práticas no trabalho ou suspensão de contratos. Uma pesquisa com a participação de 33.688 jovens mostra como essas e outras consequências da pandemia de Covid-19 impactam suas rotinas e sentimentos.

Promovida pelo CONJUVE (Conselho Nacional da Juventude), em parceria com Em Movimento, Fundação Roberto Marinho, Mapa Educação, Porvir, Rede Conhecimento Social, Unesco e Visão Mundial, o levantamento “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus” ouviu, entre 15 e 31 de maio, jovens de 15 a 29 anos de todo o Brasil por meio de um questionário disponibilizado pela internet.

A pesquisa questionou mais de 33 mil jovens em relação a quatro temas – economia; saúde e bem-estar; educação; e perspectivas para o futuro – e em todos eles a instabilidade está presente de alguma forma.

A maior parte dos jovens que responderam ao questionário está no ensino médio ou na faculdade. Entre os estudantes, oito em cada dez realizam algum tipo de atividade de ensino remoto. Mas estudar em casa é um desafio para eles. O que mais atrapalha não é a infraestrutura tecnológica para acessar conteúdos e aulas ou a falta de tempo, mas o próprio equilíbrio emocional e a capacidade de organização para estudar.

Para lidar com essas dificuldades, eles pedem apoio das escolas e faculdades: seis em cada dez jovens consideram que suas instituições de ensino devem priorizar atividades para lidar com as emoções; e cinco em cada dez querem aprender estratégias para gestão de tempo e organização.

Jovens e educação

Em consequência, existe um risco grande de desconexão dos jovens com a educação: 28% dos que responderam ao questionário pensam em não voltar para a escola quando a pandemia acabar e entre os que planejam fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), 49% já pensaram em desistir.

Outro fator que provoca instabilidade são as mudanças no trabalho e renda dos jovens e suas famílias. Seis em cada dez tiveram alteração em sua carga de trabalho desde o início da pandemia (mais ou menos trabalho, parada temporária das atividades ou ainda interrupção por demissão). A renda também foi afetada: quatro em cada dez indicam ter diminuído ou perdido sua renda e cinco em cada dez mencionam que suas famílias tiveram essa redução.

Diante dessa realidade, 33% dos participantes relatam ter buscado alguma maneira para complementar sua renda.
A pesquisa também destaca que há uma preocupação grande dos jovens com suas emoções. Sete em cada dez participantes disseram que seu estado emocional piorou por causa da pandemia, enquanto os sentimentos mais marcantes para eles durante o isolamento social são ansiedade, tédio e impaciência.

Perspectivas para o futuro

Embora 34% dos jovens ouvidos estejam pessimistas em relação ao futuro e 72% acharem que a pandemia vai piorar a economia do Brasil, eles também têm algumas perspectivas positivas em relação à maneira como a sociedade vai se organizar a partir desta crise. Metade deles imaginam que o modo como trabalhamos vai melhorar um pouco ou muito e acreditam que novas oportunidades de trabalho podem surgir para quem mora afastado dos grandes centros urbanos, por conta do aumento do trabalho remoto. 48% também acreditam que surgirão novas formas de estudar mais dinâmicas e acessíveis que as atuais.

As ações em relação à ciência e saúde são valorizadas pelos participantes da pesquisa, com 96% dizendo que confiam na descoberta da vacina contra o coronavírus como uma ação importante para a retomada depois da pandemia. 44% dos jovens ainda acham que a sociedade vai reconhecer mais os educadores e 46% preveem que a ciência e pesquisa terão mais prestígio e investimentos. Por fim, 48% deles ainda acreditam que as relações humanas e a solidariedade receberão mais atenção.